Super Quarta – 19/03/2025
A chamada Super Quarta refere-se ao dia em que coincide de ocorrer decisão sobre a taxa juros no Brasil e nos Estados Unidos. Essas definições são acompanhadas de perto pelos mercados financeiros, pois influenciam diretamente as expectativas econômicas, os fluxos de capitais e as estratégias de investimento globais. Assim como ocorreu na primeira Super Quarta de 2025, na última quarta-feira (19) os Bancos Centrais dos dois países adotaram posturas distintas em relação à condução da política monetária.
Nos Estados Unidos, o Fed manteve a taxa de juros no intervalo de 4,25% a 4,50%, e projeta dois cortes em 2025. A decisão, tomada por unanimidade, já era esperada pelo mercado, conforme indicava a ferramenta FedWatch da CME Group. O comunicado do banco central americano destacou que a economia segue em sólida expansão, com um mercado de trabalho equilibrado e inflação ainda um pouco elevada. A autoridade monetária ressaltou que “a incerteza em torno das perspectivas aumentou”, reduzindo as expectativas para o crescimento econômico deste ano, para 1,7%, e elevando as estimativas de desemprego e inflação para 2025, em 4,4% e 2,7%, respectivamente.
Já no Brasil, o Copom optou por elevar a taxa Selic em 1 ponto percentual, para 14,25% ao ano, marcando a terceira alta consecutiva da taxa básica de juros nesta magnitude. A decisão, que já havia sido antecipada na reunião anterior, também foi unânime. O Banco Central ressaltou que “o ambiente externo permanece desafiador em função da conjuntura e da política econômica nos Estados Unidos, principalmente pela incerteza acerca de sua política comercial e de seus efeitos”. No âmbito doméstico, o Copom destacou que o cenário mais recente é marcado por desancoragem adicional das expectativas de inflação, projeções de inflação elevadas, resiliência na atividade econômica e pressões no mercado de trabalho. No comunicado, o Comitê deixa espaço para pelo menos mais uma alta, mas em menor magnitude. Em suas projeções para a inflação, a autoridade monetária estima o IPCA em 5,1% ao fim de 2025 e em 3,9% no primeiro trimestre de 2026.
O contraste entre as decisões do Fed e do Copom evidência a diferença nos desafios enfrentados pelas duas economias. Enquanto os Estados Unidos mantêm uma postura cautelosa, avaliando a resiliência do crescimento econômico e a trajetória da inflação, o Brasil precisa lidar com uma deterioração das expectativas inflacionárias e um cenário doméstico incerto, especialmente no que se refere ao quadro fiscal, o que exige uma política monetária mais rigorosa para garantir a estabilidade de preços.