LEMA Economia & Finanças - Mais que uma Empresa de Consultoria de Investimentos para os RPPS

Estou pessimista e você?

O primeiro trimestre desse ano trouxe (mais uma!) preocupação aos gestores de RPPS. Especialmente, os que ingressaram “nesse mundo” em 2021. Foram três meses seguidos de retornos negativos. Nem mesmo aqueles que viveram o ano louco que foi 2020, imaginavam um início de ano tão complicado.

Pois é, nós também não imaginávamos que seria assim, mas podemos dizer que também não estávamos otimistas, nem tampouco esperançosos que o mercado reagiria bem à condução da pandemia pelo governo. Não apenas nós, mas boa parte do mercado tem visto assim.

Todas as segundas-feiras, às 14h, são realizadas as reuniões do nosso Comitê de Investimentos (você é nosso convidado!). Há cerca de um ano vimos lendo, analisando, debatendo, ouvindo especialistas e construindo nosso cenário que serve de bússola para nos orientar e, a partir daí, orientamos nossos clientes. Pois bem, desde então, precaução tem sido a palavra-chave em nossas sugestões. Fundos de renda fixa ativos têm sido nossa preferência junto com os fundos de índices mais conservadores como IRF-M1, IDKA IPCA 2A e IMA-B5. Além destes, vimos sugerindo há cerca de 18 meses a alocação em fundos no exterior sem proteção (hedge) cambial. Esses fundos nos ajudam na diversificação, na proteção contra momentos de instabilidade no mercado brasileiro (que têm sido constantes) e na busca por melhores retornos no cenário de juro baixo. Ações saíram das nossas sugestões desde o início da pandemia.

Mas, por que devo investir no exterior?

Posso listar, de forma sucinta, alguns motivos:

Reformas: não acreditamos que o governo terá força e nem mesmo vontade política de enfrentar os desgastes oriundos de grandes reformas como a administrativa e a tributária prometidas na campanha;

Brigas políticas: as disputas, especialmente do presidente Bolsonaro contra o STF, a mídia, a esquerda, o Congresso e tudo o mais que se mostre contrário às suas ideias têm enfraquecido o governo que vem perdendo apoio, inclusive de empresários, e se vendo forçado a ceder ao Centrão;

Privatizações: pelos motivos citados acima, não vimos grandes possibilidade do governo conseguir apoio do Congresso, e nem tampouco apoio popular para aprovar grandes privatizações, também prometidas na campanha;

Condução da pandemia: a forma como a cúpula do governo vem conduzindo a questão da pandemia tem ganho cada vez mais vozes críticas e trazido muito desgaste ao governo;

Questão Fiscal: populista, o presidente Bolsonaro, tem lutado contra sua equipe econômica para mais aumento dos gastos, para isso conta com apoio do Congresso;

Efeito-Lula: após a anulação dos processos do ex-presidente que o tornaram elegível e candidato à presidência em 2022, o presidente Bolsonaro imediatamente mudou o tom, e entrou também em campanha, o que deve prejudicar ainda mais o andamento das reformas, privatizações e ajuste fiscal imprescindíveis à retomada da economia.

Portanto, o cenário não nos parece muito favorável para esse ano e o próximo. Não vislumbramos grandes avanços econômicos, além do que o ciclo de alta da Selic já começou como forma de enfrentar a pressão inflacionária que se avizinha.

Ao mesmo tempo, enquanto o Brasil vacinou menos de 20 milhões de pessoas, os EUA têm vacinado 3 milhões por dia (!) e a economia por lá já dá sinais claros de crescimento. A retomada na terra do Tio Sam mais uma vez será surpreendentemente rápida e robusta. Vamos investir lá?