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Quando eu estava na reta final do meu curso de Administração de Empresas, no início dos anos 2000, meu professor da cadeira de Administração da Produção, certa aula, soltou uma frase que carrego comigo desde então: “planejamento é prever para prover”. Somente alguns anos depois, descobri que se tratava de uma adequação da original de Auguste Comte, pai do positivismo, que formulava com o “saber prever a fim de prover” que, por meio do estudo científico, era possível estudar os fatos atuais, entendendo suas relações, a fim de se antecipar acontecimentos futuros.

Todos os dias acordamos e pomos em prática essa ideia, ainda que de forma automática. O agricultor tenta prever o inverno a fim de saber quando plantar, de forma a ter uma colheita maior, bem como o médico analisa dados de exames e de vida dos seus pacientes a fim de ter uma ideia do que eles podem ter de problemas e como preveni-los disso.

Com a evolução tecnológica e científica, conseguimos ter instrumentos e métodos que nos facilitem a previsão. Nos utilizamos deles para saber se sábado fará sol e dará praia, ou quando o Waze nos dá a melhor rota para o nosso destino. Somos seres que temos isso em nossa natureza, como uma espécie de mecanismo de sobrevivência. Estamos constantemente buscando entender o que ocorre no agora, e tentando capturar as consequências disso para desvendarmos o futuro.

O dia a dia dos investimentos não é diferente. Entre os dados de inflação, PIB, juros, câmbio, fiscal e decisões políticas. Essas valiosas informações e expectativas que nos fazem tomar decisões de alocação dos nossos recursos. Assim como o agricultor tenta prever o inverno, os financistas (aqui num sentido amplo de toda pessoa que poupa   recursos), buscam encontrar distorções de preços e sinalizações que maximizem a rentabilidade do investimento e possibilitem o alcance dos seus objetivos, afinal ninguém poupa por poupar.

Além disso, assim como os médicos analisam os exames laboratoriais e de imagem para traçar um prognóstico do paciente, as pessoas também possuem ferramental para isso. As pessoas físicas têm as teorias e práticas de finanças pessoais, que mostram, por meio do retrato de hoje da sua saúde financeira, as perspectivas do futuro que lhes espera. Já as entidades de previdência possuem, dentre outros, o estudo de ALM, que demonstra a sustentabilidade do plano ou do regime previdenciário.

Em ambos os casos, pessoas físicas e de previdência, conseguem desenhar o futuro que lhes espera e, se negativo for, a partir de então, implementar correções de rumo que propiciem um futuro sustentável, sejam elas a redução de despesas pessoais ou busca de novas fontes de receita, no caso das pessoas; no caso das instituições de previdência, a promoção de reformas no sistema de seguridade e implementação de melhores práticas profissionais e de governança são algumas soluções que visam a sua sustentabilidade.

Não se trata, no entanto, de um exercício único ou de momento, mas de uma prática constante. A cada dia a realidade muda de forma frenética, e o processo de ler o presente para analisar as consequências no futuro que se desenha, apesar de todo o apoio tecnológico e científico, demanda cada vez mais cabeças diferentes e multidisciplinariedade.

É preciso, por exemplo, ter ao seu lado nesta tarefa a experiência de um velho com a coragem e o deslumbre de um jovem, o pragmatismo de um engenheiro com o senso analítico de um matemático e a capacidade de abstração de um filósofo com a sensibilidade de um artista, tudo isto com a capacidade de estar aberto a receber e processar todas essas informações.

O saber prever não é tarefa das mais fáceis e nem para uma pessoa só carregar esse fardo, mas continua sendo a principal forma de prover, seja ela na sua vida pessoal, na sua empresa ou na previdência.