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Panorama Econômico – ABR/21

Por Matheus Crisóstomo

Os EUA avançam na vacinação, podendo já prever um cenário mais favorável para a retomada econômica. O FED e governo americano intensificam os estímulos à economia, levando à alta nas taxas de títulos de longo prazo. O risco de uma terceira onda na Europa gera queda no mercado de petróleo. No Brasil, o agravamento da pandemia, pressão de alta da inflação e risco fiscal em alta, elevam as incertezas para a economia brasileira.


CENÁRIO INTERNACIONAL


Os EUA se tornam referência mundial em processo de vacinação contra a COVID-19 e têm queda significativa no número de novos casos e novas internações.

O presidente Joe Biden trabalha para aprovar um pacote de estímulos adicionais de US$ 3 trilhões. A medida tem como foco principal os setores de infraestrutura e energias renováveis. Parte do pacote será custeado através da elevação de tributos sobre empresas.

No cenário americano temos ainda fortes estímulos fiscais e monetários, com as autoridades do país prevendo risco pequeno e controlado para inflação. O FED decidiu manter a taxa de juros no patamar atual e anunciou que manterá os estímulos por um longo período. Com isto, as expectativas inflacionárias de mercado se elevaram, o que levou a uma nova alta nos juros de longo prazo nos Estados Unidos.

Alguns países europeus têm programas de vacinação bem desenvolvidos e já iniciam um processo de flexibilização das atividades, enquanto outros, que apresentam baixo nível de vacinação, vivem na iminência de uma terceira onda de contaminação.

A possibilidade de uma terceira onda de COVID-19 levou a forte oscilação no mercado de petróleo. O WTI chegou a cair mais de 3% no mês. Apesar disto, os principais índices acionários da Europa apresentaram alta no mês: o índice DAX (Frankfurt) fechou com alta de 8,86%, o FTSE (Londres) com 3,55% e o Euro Stoxx 50 subiu 7,78%.


CENÁRIO NACIONAL


O 1° trimestre de 2021, foi marcado por uma elevação no risco Brasil e uma deterioração nas estimativas dos principais indicadores econômicos do país. O envio de um orçamento que implica vários potenciais crimes de responsabilidade, o avanço da pandemia de COVID-19 e a inflação com previsão de chegar a 8% no acumulado de 12 meses nas próximas divulgações, foram os principais fatores que agravaram o cenário interno neste início de ano.

Segundo dados divulgados pelo IBGE, o IPCA foi de 0,86% em fevereiro, acumulando 5,20% nos últimos 12 meses, uma taxa muito próxima ao teto da meta de inflação. O grupo de transportes foi o que mais impactou o índice geral, reflexo da alta considerável nos preços dos combustíveis.

O Brasil vive o pior momento da pandemia, com mais de 4 mil mortes diárias por COVID-19, o que tem impactado muito negativamente as expectativas dos agentes econômicos. As estimativas mais recentes de mercado apontam forte deterioração nos indicadores de 2021, e já refletem nos dados para 2022.

Segundo dados do relatório Focus, do Banco Central, em menos de um mês, a expectativa quanto ao crescimento do PIB brasileiro em 2021 saiu de 3,29% para 3,17%, enquanto que o IPCA previsto acelerou de 3,87% para 4,81%.

Nos dias 16 e 17 de março, o COPOM se reuniu e decidiu por unanimidade elevar em 0,75 p.p a taxa Selic, chegando a 2,75% a.a. O Comitê entende que o atual cenário impõe um aumento no balanço de risco, com elevação nas projeções de inflação para níveis próximos ao limite superior da meta em 2021.

O Congresso nacional aprovou, no inicio do mês, a PEC emergencial, contemplando a retomada do auxilio emergencial e alguns gatilhos importantes para a manutenção da estrutura fiscal do país.

O mercado digeriu bem a aprovação da PEC, mas o impasse envolvendo o orçamento de 2021 elevou o risco fiscal brasileiro.

No dia 08 de março, o ministro do Supremo Tribunal Federal, Edson Fachin, determinou a anulação de todas as decisões tomadas pela 13º Vara Federal de Curitiba (PR) nas ações contra o ex-presidente Lula. A decisão, junto à suspeição do ex-juiz Sérgio Moro, votada no plenário do Supremo, tornou possível a candidatura do ex-presidente, ampliando a polarização dos grupos de esquerda e direita no país.

A escolha, que alterou o cenário eleitoral para 2022, refletiu negativamente no mercado financeiro. O Ibovespa chegou a cair quase 4,0%, no dia da decisão do ministro.

Apesar da instabilidade interna, o Ibovespa se manteve no campo positivo e fechou o mês com alta de 6,00%. A forte desvalorização cambial levou os ativos brasileiros a preços mais atrativos para o investidor internacional, o que gerou um grande fluxo de capitais para o país e refletiu positivamente na bolsa de valores.

Novamente, os índices de renda fixa apresentaram queda durante o mês em função do agravamento do cenário interno. Além disto, a elevação da Selic em 0,75 p.p, veio acima das expectativas de mercado, o que levou a uma abertura nas curvas de juros. Alguns títulos públicos chegaram fechar o mês em queda superior a 7%.


Fonte: Valor Pro

Março foi mais um mês de desvalorização cambial no país, diante da elevação no risco Brasil. Em função do avanço da pandemia no território nacional, o dólar fechou o mês em alta de 3,02%.

O índice Global BDRX, que passou boa parte do mês no campo negativo, reverteu para o campo positivo com a alta do dólar e, novamente, foi um dos destaques com uma rentabilidade de 3,08%.

Dado o cenário geral de aumento da incerteza, novamente ressaltamos a necessidade de diversificação dos investimentos como forma de proteção. Na renda fixa, continuamos a orientação para alocação em fundos mais conservadores como IRF-M1, IMA-B5 e IDKA IPCA 2A. Na renda variável, ainda não acreditamos em performance positiva da bolsa no curto prazo e reiteramos  a sugestão de não aumentar exposição nesses ativos neste momento. Já nos investimentos no exterior, a orientação é buscar mais diversificação em ativos dolarizados, como os fundos de BDRs, e em fundos que adotam proteção cambial na sua estratégia dada a recente desvalorização do real.


Projeções: Relatório Focus (BCB)

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