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Panorama Econômico – FEV/21

Por Patrick Leite e Matheus Crisóstomo

O avanço da COVID causa revisão dos indicadores econômicos na Europa. Joe Biden assume a presidência dos EUA e promete novos estímulos. Risco fiscal mais elevado impactou negativamente o mercado de renda fixa no Brasil, enquanto avanço de variantes do coronavírus e ataques especulativos afetaram a bolsa de valores.


CENÁRIO INTERNACIONAL


Apesar do avanço nos programas de vacinação, o Coronavírus continuou atingindo forte a Europa e os EUA, inclusive com variantes mais fortes, levando à prorrogação de medidas mais rígidas no controle da pandemia.

O democrata Joe Biden assumiu a presidência dos EUA, em meio a um processo de impeachment ao ex-presidente Donald Trump, por incentivar apoiadores a ocuparem o Capitólio. Logo que assumiu, Biden propôs ao Congresso novos pacotes de estímulos a economia americana, com o intuito de manter renda e trabalho da população.

O FED manteve a taxa de juros nos EUA, mas enfatiza ritmo mais lento da economia.

A China apresentou crescimento de 2,3% do seu PIB em 2020, pior resultado em mais de 40 anos. Apesar disto, os dados da indústria chinesa vieram acima das expectativas, resultando em elevação nos preços de commodities, como o petróleo.

Durante boa parte de janeiro o preço do WTI (barril de petróleo americano) subiu forte, apresentando queda apenas no final do mês, com a elevação no nível de estoques nos EUA.

Pequenos investidores orquestraram um forte movimento de compra de ações de empresas em dificuldade financeira, as quais estavam na ponta “vendida” da carteira de grandes fundos de investimentos. Este movimento que ficou conhecido como “a revolta das sardinhas”, trouxe uma grande volatilidade aos mercados acionários internacionais.

O S&P 500 caiu 1,11% no mês, enquanto o Dow Jones caiu 2,29% e Nasdaq subiu 0,29%.

O cenário de maior incerteza, em um momento de forte injeção de recursos na economia mundial, resultou em nova desvalorização cambial mensal. O dólar fechou o mês a R$ 5,4625, alta de 5,37%.


CENÁRIO NACIONAL


Conforme trazido nos últimos panoramas, o último trimestre de 2020 apresentou um resultado que superou as expectativas relacionadas à recuperação econômica brasileira, com maior destaque para o setor industrial. Porém, a incerteza sobre o nível de crescimento da economia para o curto prazo ainda permanece alta.

Segundo o índice Gerente de Compras da IHS Markit, a tendência de recuperação para o setor industrial permaneceu aparente em janeiro, porém com menor força que a apresentada em 2020. Para o setor de serviços, o Índice de Atividade de Negócios atingiu 47,0 pontos em janeiro, indicando contração, tendência não observada desde agosto de 2020.

O aumento no número de novos casos de covid-19, além do aparecimento de novas cepas do vírus, ainda tem sido o fator preponderante na tendência para a atividade econômica no curto prazo, visto que os países ainda não tiveram tempo suficiente para a imunização em massa.

O Relatório Focus, divulgado pelo Banco Central, trouxe revisões para as projeções dos principais indicadores econômicos brasileiros para o ano de 2021, conforme tabela abaixo:


O aumento nos preços das commodities refletido nos preços dos alimentos e combustíveis, continua a contribuir para a revisão das expectativas dos índices de inflação, conforme os gráficos a seguir:


Nos dias 19 e 20 de janeiro, ocorreu a primeira reunião do Copom, onde se destacou os riscos para a inflação em duas direções, visto que o atual nível de ociosidade, principalmente concentrada no setor de serviços, pode produzir uma inflação abaixo do esperado, mas, por outro lado, uma piora da trajetória fiscal brasileira, ou frustrações em torno da continuidade das reformas, podem elevar os prêmios de risco. O Copom destacou ainda que interrompeu o forward guidance de manutenção dos estímulos monetários, o que indica uma possível diminuição do nível de estímulos na próxima reunião.

No mercado financeiro, os índices apresentaram, em sua maioria, queda. A abertura das curvas de juros ocorreu em função aumento das incertezas dos investidores em relação ao avanço da pandemia e da piora do quadro fiscal brasileiro.

O Ibovespa, que se recuperou e encerrou o ano de 2020 com 3,03% de alta, finalizou o mês aos 115.067, com 3,32% de queda. Janeiro foi marcado por forte volatilidade, chegando a atingir patamar recorde, porém o aumento do risco global e as incertezas com o atual panorama fiscal brasileiro, reverteram os resultados.